
MORANGO
(FRESA)
Longa-metragem Ficção 90'
Autores: Michele Diniz e Rafael Lobo
Gênero: Drama social, distopia, realismo fastástico
Temas: Memória, Identidade, Conflito Geracional, Natureza e Sobrenatural
Local de filmagem: Rancho Queimado (SC)

SINOPSE
Heitor é um fitopatologista que há tempos não visita sua família que vive em Rancho Queimado, sua cidade natal. Quando a plantação de morango misteriosamente colapsa, ameaçando a tradicional festa local, Heitor é chamado às pressas para solucionar esta crise. Sua volta o reaproxima da avó Dalva, uma das criadoras da festa, agora com Alzheimer. Alheia ao desaparecimento do morango, ela confunde tempos e revive o passado como se atravessasse o presente, insistindo em refazer a festa em sua forma tradicional. Entre o desejo de cuidar da avó e os conflitos familiares que ressurgem, Heitor percebe que sua investigação não conduz a uma solução definitiva e, ao mesmo tempo, enfrenta a dificuldade de se reinserir numa comunidade que passou a enxergá-lo como um estrangeiro.
TEASER
HEITOR S. D.
Filho único de JORGE e RITA e neto de DALVA e JOSÉ Nasceu em 1995 - 31 anos
Heitor é um homem cis, branco, gay, casado, loiro, alto e magro, de barba por fazer, que veste roupas confortáveis de aventura, como quem está sempre pronto para o campo. Apresenta traços de neurodivergência (autismo nível 1), com dificuldades de socialização. Fitopatologista e especialista em sensoriamento remoto, sua profissão estrutura sua forma de olhar o mundo: com drones multiespectrais e ortomosaicos NDVI/NDRE, ele busca padrões invisíveis nos talhões e testa hipóteses em campo e laboratório.
Tem pouca escuta para códigos sociais e culturais, apesar do discurso de esquerda e da pretensão de ativismo ambiental. A distância entre o que defende e o que pratica, somada ao ego alimentado pela própria competência, faz com que seja visto como autocentrado e arrogante. Por trás disso, na verdade, há uma dificuldade em enfrentar conflitos que faz com que ele fuja de conversas difíceis.


DALVA G. S.
Avó de HEITOR, mãe de RITANasceu em 1950 - 76 anos.
Dalva é uma idosa branca, viúva, de classe média alta em ascensão, acostumada a ocupar posições de respeito na comunidade. Ela tem um jeito doce e acolhedor ao mesmo tempo que se apresenta com o rigor firme de quem passou a vida liderando e organizando. Com o avanço do Alzheimer, porém, sua personalidade começa a se modificar: surgem confusões e momentos de irritação que podem escalar para agressividade, especialmente quando se sente contrariada ou tratada como incapaz.
Foi Dalva quem apostou no cultivo do morango como alternativa econômica para a cidade e, na década de 90, ao lado de outras mulheres, ajudou a criar a Festa do Morango, iniciativa que deu visibilidade ao município. O papel que ela ocupava na vida pública teve um preço, e em casa sua presença era muitas vezes intermitente, dividida entre os deveres comunitários.

MORANGO está em estágio inicial de desenvolvimento e parte de um elemento identitário de Rancho Queimado e da serra catarinense: a Festa do Morango. Criada por uma geração de mulheres que transformou o cultivo familiar em celebração coletiva para manter os jovens na terra e evitar o forte êxodo rural no fim dos anos 80, a festa reconfigurou uma comunidade que antes vivia de uma precária agricultura de cebola.
O projeto apresenta ainda um forte potencial de coprodução internacional ao articular uma narrativa local com atravessamentos transnacionais contemporâneos. Seu diferencial está em realizar um cinema fora do eixo de baixo orçamento com uma dupla de autores experientes e complementares.
O público-alvo é composto por adultos entre 25 e 60 anos, com interesse por cinema de autor e narrativas que articulam memória, crise ambiental e pertencimento. O filme dialoga prioritariamente com espectadores das capitais e cidades médias do Brasil, onde se concentra a oferta de salas de cinema independente, cineclubes e mostras, com interesse ainda em atingir um circuito democrático de difusão para o interior e plataformas VOD.

Contato:
Michele Diniz
Rafael Lobo